
O cenário político em Indaiatuba ganha destaque com a possível candidatura do deputado estadual Rogério Nogueira pelo PSDB à prefeitura da cidade. Esta movimentação ocorre em meio à ausência de outro nome forte que desponte nas pesquisas, especialmente após a inelegibilidade do ex-prefeito Reinaldo Nogueira, irmão de Rogério, que liderava o grupo político local.
Rogério Nogueira surge como figura proeminente nesse contexto, embora sua candidatura esteja envolta em polêmicas, notadamente relacionadas ao caso de rachadinha em seu gabinete parlamentar. Recentemente, o deputado teve que desembolsar a quantia de 4 milhões de reais para encerrar um processo vinculado a essa prática, que ele mesmo teria instaurado em seu ambiente de trabalho.
A rachadinha, prática ilícita de desvio de recursos públicos, envolve a retenção de parte do salário de assessores parlamentares, retornando uma parcela para o político responsável. O caso de Rogério Nogueira trouxe à tona questionamentos sobre sua conduta ética e sua idoneidade para ocupar cargos públicos de relevância, como o de prefeito de Indaiatuba.
Diante desse panorama, a possível candidatura de Rogério Nogueira à prefeitura de Indaiatuba promete polarizar opiniões e acirrar o debate político na região. Enquanto alguns defendem sua experiência e capacidade de gestão, outros levantam preocupações sobre sua integridade e comprometimento com a ética no exercício do poder público.
Vamos relembrar o caso da rachadinha do gabinete do Deputado Nogueira:
Segundo investigação, desvios ocorreram entre 2009 e 2019 e somam R$ 4,1 milhões. Em nota, deputado estadual negou as acusações e se colocou à disposição da Justiça.
A Justiça de São Paulo vai abrir um processo contra o deputado estadual Rogério Nogueira, do PSDB, por envolvimento em um esquema de rachadinha no próprio gabinete. Segundo o órgão, o deputado vai ser investigado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Outros 25 servidores que foram ou ainda são do gabinete de Nogueira também serão investigados.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os servidores tinham que devolver parcial ou integralmente seus salários para o deputado. Esta prática é conhecida popularmente como rachadinha.
“Rogério Nogueira Lopes Cruz foi denunciado juntamente com os demais acusados, constituiu e passou a integrar organização criminosa, desvio dinheiro que compunha o orçamento da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) e que se destinava ao pagamento da remuneração de ocupantes de cargo em comissão, valores em relação aos quais, em razão do cargo, mantinha a posse indireta e a disponibilidade jurídica”, diz nota do MP.
Os desvios ocorreram entre 2009 e 2019 e somam ao menos R$ 4.193.571,98.
Nogueira é o segundo-secretário da Mesa Diretora da Casa, um dos cargos mais importantes e que confere a ele, por exemplo, ter 67 servidores à sua disposição para questões administrativas.
Em nota, Rogério Nogueira negou as acusações e se colocou à disposição da Justiça. O parlamentar disse ainda que não há nenhuma denúncia de funcionários contra ele e que está confiante de que tudo será esclarecido.
A defesa do deputado argumentou que ele depositou R$ 4 milhões para encerrar as investigações.
Com relação à evolução do patrimônio, o deputado afirmou que já era empresário e investidor antes da política e que a atividade parlamentar não é a sua única atividade profissional.
Se o deputado Rogério Nogueira conseguir registrar sua candidatura e, posteriormente, vencer a eleição, o grupo liderado pelo ex-prefeito Reinaldo Nogueira continuará exercendo influência e comando em Indaiatuba. Com a soma dos mandatos de todos os membros desse grupo, ultrapassando os 27 anos no poder, surge o questionamento sobre a vontade do povo de Indaiatuba em continuar votando nos irmãos Nogueira. A possível continuidade dessa dinastia política desperta reflexões sobre a alternância de poder e a busca por novas lideranças que representem efetivamente os interesses da população local.
Mín. 22° Máx. 37°